Dublin: a ilha verde acolhedora da Europa – Texto por Paula Romano.

Cheguei em Dublin em uma semana atípica quando fazia Sol na ilha e as temperaturas estavam altas, entre 15°C e 17°C. Sim, o que consideramos frio aqui no Brasil é um dia quente para os irlandeses. Como disse um amigo que mora lá há bastante tempo: “esse é o momento de sair de casa de shorts”. O clima da Irlanda é úmido e as temperaturas variam durante o ano entre 4°C no inverno e 16°C no verão. É essencial levar um guarda-chuva na bolsa porque pode – e deve – chover a qualquer momento.

Conhecida como a Ilha Esmeralda, por conta de seu verde e campos abertos, a Irlanda é um ótimo lugar para admirar a paisagem e relaxar. Mais que isso, a noite irlandesa também é bastante fervorosa, pints e mais pints de Guinness fazem parte da rotina dos irlandeses. Depois do clima, talvez o que mais chame a atenção sobre a Irlanda é como os irlandeses gostam de beber. Os pubs estão sempre lotados e não é preciso ser fim de semana para isso. Para um bom irlandês todo dia é dia de sair tomar uma – ou várias – pints com os amigos.

Os irlandeses são um povo bastante receptivo e simpático. Diria até que fofos, pois são muito gentis e educados. Dá vontade de abraçá-los. A junção Brasil e Irlanda combina bem, talvez por isso o país esteja tomado por brasileiros. Não é difícil ouvir português pelas ruas de Dublin. Uma vez estava na fila do Mc Donald’s com uma amiga brasileira e o atendente ao ouvir a nossa conversa perguntou: “Vocês não preferem falar em português”. Ou seja, tem tanto brasileiro por lá que você pedir o seu lanche em português do outro lado do mundo.

As línguas oficiais do país são o irlandês, a língua celta nativa, e o inglês, que é uma língua oficial secundária. Aprender irlandês é obrigatório no ensino do país, mas o inglês é amplamente prevalente. Dizem que se você aprende inglês na Irlanda, é capaz de entender o inglês de qualquer lugar do mundo, pois o sotaque dos irlandeses são os mais difíceis de compreender. E é verdade, entender o que um ancião irlandês diz é uma dura tarefa. Sem ofensas, eles meio que falam com uma “batata na boca”.

A alimentação irlandesa é baseada em batata. Batatas de todos os jeitos: frita, assada, purê, cozida, com molho à bolonhesa, com molho de alho e muito mais – essas últimas opções você comprar em carrinhos de rua durante a madrugada para matar a larica. O café da manhã de Dublin também bem diferente do que estamos acostumados no Brasil, eles se servem de feijão, linguiça, bacon, ovo e pão durante a manhã e são muito adeptos dos chás. Outro ponto encantador de Dublin é que, dependendo da época, existem cisnes percorrendo os canais. Dublin é cortada por canais e é a partir deles que você sabe em qual área da cidade você está.

A cidade é dividida por números: Dublin 1 e Dublin 2 são o centro da cidade, onde fica a famosa rua comercial O’Connell Street e seu Spire – um monumento com 120 metros de altura em formato de agulha. Próximo a ele fica uma loja chamada Penneys, que eu não posso deixar de citar. Eu amava passar a tarde garimpando achados e pagar 3 euros em uma camiseta, 5 euros em um sutiã ou 15 euros em uma bota. Há quem torça o nariz e chame a loja de “Torra Torra”, mas tem peças que eu tenho e uso até hoje e ainda estão intactas, e olha que estive em Dublin em 2011. Digamos que a Penneys – que faz parte da famosa rede britânica Primark e significa centavos, em inglês – é uma loja do povão, mas com estilo e um corte bem alinhado.

Outro lugar que eu adorava ir era o St Stephen’s Green, um parque público situado no centro de Dublin, próximo ao Grafton Street, uma das ruas comerciais mais importantes da capital irlandesa. O parque tem forma retangular e no seu centro encontra-se um grande lago que é alimentado pelas águas do Grande Canal de Portbello. É um ótimo lugar para levar uma canga, um vinho e chamar os amigos.

Segundo estudos arqueológicos, a Irlanda é povoada há mais de 9000 anos. Os principais grupos que interagiram com os irlandeses na Idade Média são os escoceses e os Vikings, sendo que os islandeses, especialmente, têm alguma ascendência irlandesa devido a esse fato. Os irlandeses, em sua grande maioria, são loiros e ruivos e normalmente são muito confiáveis. Se algo foi combinado com eles, mesmo que apenas verbalmente, será cumprido.

A Irlanda é um país livre, toda a ilha se separou do Reino Unido em 1922, mas o país vive atualmente em crise. Durante o tempo em que estive lá, uma manifestação ficou acampada na frente no Banco Central da cidade por meses. Mas, mesmo com a crise, os irlandeses possuem bons carros, boas casas e acesso a boa educação. As casas irlandesas são normalmente muito quentinhas e aconchegantes. Todas possuem aquecedor e máquina de secar roupa. Como não tem sol e é muito úmido, ninguém deixa a roupa para secar na rua. Além da Guinness, que é a típica bebida irlandesa, os pubs também servem pints de Bulmers, uma cidra deliciosa de sabores como pera e frutas vermelhas. É uma delícia, e elas podem ser encontradas em alguns lugares requintados do Brasil, em sua versão Magners, que é como chamam a bebida na Inglaterra.

Uma viagem à Irlanda também é uma ótima oportunidade para aprender mais sobre a cultura celta e viking. Há diversos museus em Dublin que merecem ser visitados, incluindo a biblioteca do Trinity College, que foi cenário para as gravações de Harry Potter. A Irlanda também foi palco para as gravações do seriado Game of Thrones, quando foi apresentado Winterfell.

Sem dúvida visitar Dublin é uma ótima opção para enriquecer culturalmente e como pessoa. Se você procura por um lugar acolhedor para visitar ou mesmo para morar, Dublin deveria entrar na sua lista de desejos!  :-D

Imagens: Paula Romano, do Geekness / Divulgação.